O Trabalho Criativo

03/08/2006

in Criatividade

2ª Parte da Série “Gerenciando o Trabalho Criativo


“Aquilo que é criativo deve criar a si mesmo.”
- John Keats


Domenico de Masi entende que criatividade e inovação são duas coisas distintas. Enquanto criatividade indicaria “rápidos saltos qualitativos”, inovação significaria “lentas transformações quantitativas e progressivos ajustamentos” [1]. No entanto, parece que em livros de negócios e no entendimento disseminado os dois termos se completam: “criatividade é a semente da inovação”. A confusão existe e deve permanecer por um bom tempo. Na Wikipédia, enquanto esta parte do artigo estava sendo redigida, o termo “criatividade” estava marcado para revisão. O que as organizações buscam, na grande maioria das vezes, é o que De Masi chamou de inovação. O mecanismo de busca do Google, o iPod da Apple e o RJ145 da Embraer são exemplos de inovações. Releituras de idéias que já existiam.

No conceito utilizado neste trabalho, o trabalho criativo, o ato de criar algo, pode gerar tanto uma revolução (um rápido salto qualitativo) quanto uma evolução (uma transformação quantitativa ou ajustamento). E o foco aqui são os projetos, “esforços temporários empreendidos para criar um produto ou serviço único” [2]. Se todo projeto é único e gera produtos ou serviços únicos, podemos dizer que em todos projetos há trabalho criativo. Obviamente que a dose de criatividade requerida por um projeto pode ser muito pequena ou, no outro pólo, imensa – a própria razão de sua existência.

Este trabalho mira aqueles empreendimentos que requerem mais criatividade. Mas que não se propõem necessariamente a gerar uma revolução – eles são raríssimos. Porém, os métodos e práticas aqui sugeridos podem ser úteis em projetos de qualquer natureza e porte. É importante notar que nossa capacidade criativa não é direcionada exclusivamente para o desenho do produto ou serviço que o projeto deve gerar. “Aquilo que é criativo deve criar a si mesmo”. Ou seja, a própria estrutura da equipe e a definição dos processos que devem guiar os trabalhos também são passíveis de criação. Aliás, chegam a ser consideradas atividades ou características naturais de um grupo criativo.

Isso torna ainda mais complexo o gerenciamento do trabalho criativo. Afinal, de alguma forma, a organização deve permitir que um sub-conjunto de sua estrutura se defina e institua seus próprios métodos e processos. Flexibilidade e autonomia sem muitos precedentes no mundo corporativo. Sendo assim, qual deve ser o papel da organização quando ela pede que uma equipe desenvolva um trabalho criativo?

===

Na próxima semana: “A Organização

Referências:

  1. DE MASI, Domenico.
    Criatividade e Grupos Criativos. Editora Sextante – 2002.
  2. Project Management Institute (PMI)
    A Guide to the Project Management Body of Knowledge – 3ª edição.
    PMI Publications – 2004.
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Claudio Kinzel June 2, 2008 at 13:07

Para se buscar o trabalho criativo é necessário uma mudança de cultura organizacional, que ainda nos dias de hoje tem uma visão industrial que é de difícil remoção. Ora, o trabalho criativo deve unir os polos de trabalho, estudo e jogo, tudo “ao mesmo tempo”, num agradável pequeno caos que serve para estimular o que resultaria na inovação, que tanto as empresas buscam atualmente.

Aproveito e deixo o link de dois posts em meu blog sobre o assunto:

As Três Diminsões do Trabalho no Século XXI
http://chadascincocompimenta.blogspot.com/2008/02/as-trs-dimenses-do-trabalho-do-sculo.html

e

Ócio Criativo
http://chadascincocompimenta.blogspot.com/2007/12/cio-criativo.html

Namastê!

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