O Analista de Negócios e o tal BABoK

18/05/2007

in Análise de Negócios,BABoK

Faz pouco tempo que descobri o BABoK (Business Analysis Body of Knowledge). Quem cuida dele é o IIBA (International Institute of Business Analysis). A descoberta aconteceu por acidente, no meio das minhas pesquisas. Usando o Google, não consegui achar nenhuma referência em língua portuguesa. Estranhei. Afinal, a versão atual (1.6) está disponível para download desde 12/jul do ano passado. A versão 2.0 está programada para este trimestre. Mas, como escrevi no meu material, “o analista de negócios não existe. Particularmente aqui no Brasil”. Normal. Quantos gerentes de projetos existiam há uns 10 anos? E quem conhecia o PMI?

O IIBA segue os passos do PMI. Ou seja, lança um ‘guia para o corpo de conhecimentos’ e, na cola, uma certificação. Tenho minhas restrições ao formato, mas elas ficam para outra hora. O lado bom é que a iniciativa pode ajudar a divulgar e, de certa forma, consolidar a profissão. Em tempos de altas ondas (SOA e BPM), passa da hora de percebermos que o Analista de Negócios desempenha funções cruciais.
[Meu próximo post falará sobre BDUF e a perigosa insistência de alguns que acham que 'super-programadores' generalistas dão conta do recado - dispensam os AN's].

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Mas o BABoK me assustou um pouco e decepcionou um tanto. Ainda não vi as alterações previstas para a versão 2.0, mas a versão 1.6 cobre, na minha opinião, apenas 50% do trabalho de um AN. Dos seus 8 capítulos, 5 cobrem exclusivamente as atividades de planejamento, desenvolvimento e gerenciamento de requisitos. O gráfico abaixo ilustra as áreas de conhecimento cobertas pelo BABoK:

“Enterprise Analysis”, segundo capítulo do BABoK, é descrita como “uma coleção de atividades pré-projeto que servem para capturar uma visão futura do negócio, formando assim uma base a a elicitação de requisitos e para o desenho da solução [...]“.

Como já comentei aqui, e talvez seja uma falha minha, mas não consigo dissociar a Modelagem de Negócios da Engenharia de Requisitos. Lógico, são duas disciplinas diferentes. Mas elas compartilham “momentos”, independente do modelo de processo utilizado. E o BABoK não fala nada sobre Modelagem de Negócios. Se ela não é uma responsabilidade do AN, então é de quem?

Quero crer que, com a demanda gerada pelas ‘ondas’ BPM e SOA, o BABoK passe a contemplar atividades para modelagem de negócios e de processos de negócios em suas futuras versões. Melhor seria se a incorporação fosse motivada pela percepção de que o trabalho do AN não se restringe à coleta, análise e documentação de requisitos.

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Como mostra o conteúdo programático do workshop promovido pela Tempo Real Eventos, a primeira metade do evento tratará exclusivamente da modelagem do negócio e seus processos. Apresentarei algumas práticas sugeridas pelo BABoK na segunda parte do evento.

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Marcel Fleming June 24, 2007 at 21:56

Descobri, meio sem querer, que existe o Babok. E concordo com o articulista aqui: pelo menos olhando o diagrama apresentado, parece-me que o Babok trata basicamente de engenharia de requisitos. Acho que a Análise de Negócio deveria caminhar para a arquitetura de negócios, ou de organizações, utilizando como referência trabalhos como o Zachman Framework. Mas, na verdade, acho que o mercado ainda está tentando entender bem o que se espera do Analista de Negócios.

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Paulo Vasconcellos June 25, 2007 at 16:02

Olá Marcel,

agradeço o comentário.

Mas acho que o AN, antes de pular no tema “arquitetura”, deveria se especializar na análise e modelagem de negócios. Suas sugestões são válidas, mas elas acabaram formando o Arquiteto de Negócios (ou EA – Enterprise Architect). Acredito que seja uma evolução natural para os AN’s. Mas, antes de qualquer coisa, insisto que o entendimento do negócio é fundamental.

Abraços,

Paulo

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Kerber October 9, 2007 at 15:01

Sou administrador e trabalho com TI há 11 anos. A função de analista de negócios veio para salvar o meu dia. Eu estava perdido em um mundo onde ou se falava de sistemas ou se falava de negócios.

Eu nunca fui especialista baixo nível em sistemas ou negócios, mas sabia que o meu conhecimento dessa relação tinha que ser útil para a organização.

Atualmente atuo como analista de negócios e modelo requisitos de comportamento para os sistemas internos da empresa e estou muito feliz pois consigo trabalhar no nível de abstração ideal para conciliar as necessidades dos meus dois clientes, o negócio e o analista de sistemas.

Fico no espectro dos casos de uso (de negócio e do sistema), entidades e máquina de estados.

Topei com o Babok da mesma maneira que vocês e acho normal ele focar nos requisitos e deixar o BPM de lado. Acredito que a evolução é essa mesmo. Começamos a melhorar os requisitos que é o que pedem para nós fazermos nas empresas e aos poucos vamos deixando claro que precisamos “nos meter” mais nos processos do negócio para garantir que o sistema atenderá às necessidades. Isso ocorre de maneira informal, mas acaba acontecendo.

Eu mesmo estou trabalhando em uma remodelagem completa de um sistema que implica a remodelagem completa de uma área de negócios e seus processos.

Vocês podem imaginar que como administrador eu sinta um impulso grande de partir para o negócio, mas entendo que isso é gradual e muitas vezes informal. Ocorre que os sistemas acabam trazendo uma evolução forçada para o negócio e neste momento devemos estar atentos para utilizar o nosso entendimento do negócio da melhor maneira.

O perigo de influenciar nos negócios ocorre quando existe alguma área responsável por processos que só se interessa em modelar o passado enquanto você possui a postura de um agente de mudanças. Esse relacionamento é delicado.

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Paulo Vasconcellos October 9, 2007 at 15:19

Olá Kerber,

Seu depoimento vem em muito boa hora. E o ponto de vista – a defesa do foco do BABoK – é legal. Aliás, o primeiro do tipo que vejo.

Entendi sua colocação mas insisto: como o BABoK se apresenta como o “corpo de conhecimentos” da área, ele não pode ignorar a Modelagem de Negócios. Repito a questão: se não for o AN, quem a executa?

Grato pelo comentário. Abraços,

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Kerber October 10, 2007 at 15:26

Acho que se trata de um problema de domínio. Da mesma maneira que um analista de negócios pode incomodar o pessoal de sistemas querendo colocar o bedelho na modelagem chegando até às classes, acredito que possa incomodar os responsáveis pela modelagem de negócios que está deixando de ser algo “puro” e ficando cada vez mais atrelada aos sistemas que a suportam.

Da mesma maneira que existem guerras entre as classes profissionais pelo domínio de espaços em outras áreas (os melhores exemplos estão na medicina), acredito existir aqui motivo para um conflito, principalmente quando o novo player quer entrar bem no meio, nem pra cá, nem pra lá e tudo o que é sutil tende a ser mal compreendido.

A tendência de uma classe profissional é crescer através da negação da outra, mesmo que velada. Conhecemos a opinião do pessoal da administração sobre o pessoal dos sistemas e vice-versa. Ser analista de negócio é atuar bem no meio dessa “faixa de gaza”.

Quanto ao BABOK, precisamos ver qual é o background de quem o escreveu. Talvez eles tenham adotado o mote “pense grande, comece pequeno e haja rápido”, e como o negócio deles era arquitetura, foram por esse caminho.

Também estou ansioso pela versão 2. Também acho interessante a certificação. Acho as certificações da moda muito legais (PMP, ITIL), mas queria algo específico, pois meu negócio é definição e modelagem do escopo das mudanças.

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Paulo Vasconcellos October 10, 2007 at 15:39

Oi Kerber,

Meu caro, “Modelagem de Negócios” é uma disciplina em alguns modelos de processos. O mais famoso é o RUP. A disciplina ganhou até uma “irmã corporativa” no Enterprise Unified Process (EUP). Sendo assim, uma disciplina aplicável em projetos de sistemas de informação, quem é na sua opinião o responsável por ela?

Na visão que defendo, é o Analista de Negócios.

Mas fiquei curioso: na sua visão, quem é o “dono daquele pedaço”?

Abraços,

Paulo

Reply

Kerber October 10, 2007 at 16:36

Paulo, concordo com você.
Acredito que aquele “pedaço” pertence ao analista de negócios. Não creio que ele possa ser assumido por um profissional puramente administrativo, nem por um puramente técnico.

O que me assusta é que eu aprendi mais sobre modelagem de negócios através da análise de negócios orientada a objetos (utilizando UML) do que através das práticas tradicionais aprendidas na faculdade. Parece que o fato do computador não possuir tolerância a erros faz com que as linguagens mais próximas dele parecerem mais exatas quando aplicadas à modelagem de negócios.

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Paulo Vasconcellos October 11, 2007 at 12:30

Olá Kerber,

Sua afirmação no último parágrafo é forte. No material que estou desenvolvendo eu tento equilibrar as duas coisas. Tem um “mundão” não coberto pela análise de negócios “orientada a objetos”, para usar um termo seu.

Então utilizo várias referências do universo da administração, dentre elas Drucker, Kaplan & Norton, Hammer & Champy, etc etc.

De qq maneira, entendi bem sua crítica.

Grato pelos comentários. Abraços

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Kerber October 11, 2007 at 15:40

É Paulo, ela é forte, mas não deve ser considerada uma crítica à administração (minha paixão, meu CRA é 11462), mas talvez uma crítica à administração que me ensinaram na faculdade (2001-2005).

A modelagem de negócios parece ser ignorada no currículo. Outra área ignorada é a gestão de projetos. Quando eu passei a estudar o BSC, dois anos depois de formado, vi que finalmente estava preenchendo a enorme lacuna entre a estratégia e os resultados.

Essa lacuna ficou aberta porque estudamos planejamento estratégico de um lado (estratégia) e resultados do outro (administração financeira) sem dar importância às iniciativas (projetos) que unem um ao outro.

Esse mundão realmente existe e eu faço uso do meu conhecimento a seu respeito para me sobressair em relação aos analistas que o ignoram.

Você não precisa ser administrador para ser analista de negócios, mas não pode ignorar a administração para sê-lo.

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Paulo Vasconcellos October 11, 2007 at 16:39

Parabéns meu caro Kerber,

é exatamente isso! As escolas, Administração e Análise (que ainda é “de Sistemas”), se ignoram. Ambas perdem.

Abraços,

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Ricardo April 22, 2011 at 18:42

Olá Vasconcellos/kleber

Gostaria de debater com vocês o papel administrador como analista de negócios, tenho interesse de estudo pelo tema, em função do gap que observo nas grades dos cursos de administração (não contemplam tecnologia) e dos profissionais de TI (ignoram management).

Aguardo um retorno.

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admin April 25, 2011 at 10:29

Oi Ricardo,

Creio que muitos cursos de administração já contemplam, de uma forma ou de outra, o tema Tecnologia. Em meu modo de entender, o problema deles é outro: são genéricos demais. Assim como a Engenharia, existem vários ‘sabores’ de Administração de Empresas. Por enquanto, só vejo extensões e MBA’s um pouco mais específicos.

No universo de TI os problemas são outros. Creio que os cursos de “Sistemas de Informação” deveriam dar um pouco mais de atenção para o Negócio, em detrimento de várias disciplinas de cunho exclusivamente técnico. Concordo contigo, há um gap. Se quiser tornar o debate mais específico é só falar.

Abraços!

Paulo Vasconcellos

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