Sobre Conversas e Comunidades

De todos os modelos de negócio que vi nos últimos anos, apenas um merece minha mão no fogo e meus suados centavos. Conheci sua versão consolidada através do blog Confused of Calcutta, de JP Rangaswami. Dada sua amplitude, talvez seja mais correto chamá-lo de metamodelo. É o seguinte:

Gere conteúdo. Se ele for bom, conversas surgirão em torno dele. As conversas serão duradouras, se forem boas. Elas gerarão transações, se forem realmente boas.

A simplicidade do modelo não deveria enganá-lo. Sua implementação não é nada fácil nem rápida. Mas não pense que é a geração de conteúdo a parte mais complicada. Apesar de alguns poucos preguiçosos que vivem de surrupiar material alheio sinalizarem o oposto, o fato é que criar conteúdo – ter assunto – é a etapa mais simples do modelo acima. Ainda mais numa área fervilhante e diversificada como a nossa.

Difícil mesmo é iniciar e manter conversas. Mesmo que o assunto seja bom e promissor. E as razões para essa dificuldade são óbvias: conversas demandam tempo, e tempo é um recurso muito escasso atualmente; conversas requerem atenção, e como andamos distraídos e/ou sobrecarregados!

A boa administração do que é escasso e do que é abundante é tema recorrente tanto do JP quanto de Seth Godin, outro provocador obrigatório. A lei existe desde que nos entendemos por gente: o que é escasso é obrigatoriamente mais caro. Então, por favor, valorize seu tempo! Valorize meu tempo! No bullshit!, diriam nossos amigos do norte.

O programa FAN (Formação de Analistas de Negócios) foi desenhado de acordo com esse modelo. Eu não queria que as conversas terminassem depois das 7, 14 ou 20 horas de um evento. Cerca de 25% dos participantes também não. Por isso aceitaram participar de um grupo de discussão que tinha só essa grande missão: esticar o papo.

Em 2 anos e 3 meses nós trocamos 4.166 mensagens. Hoje somos pouco mais de 500 participantes. Impossível mensurar o que aprendi e quanto enriqueci o conteúdo a partir dessas conversas. Só sei dizer que é muita, muita coisa. Também não sei dizer o quanto os outros integrantes do grupo ganharam. Mas quero desconfiar que não é pouco. Se fosse, já teriam abandonado o barco.

O curioso dos grupos, de todos eles, é que a grande maioria dos integrantes é relativamente silenciosa. Quando provocados, costumam dizer “não sou muito ativo(a), mas gosto muito das discussões”. Confesso um certo incômodo com tamanha passividade, mas já desisti de achar uma forma de reduzi-la.

O grupo sempre foi um diferencial do programa FAN. Até hoje ele era exclusivo para os participantes dos eventos promovidos por mim. E a razão da trava nunca foi comercial: eu queria apenas uma uniformidade de interesses e vocabulário. Essa homogeneidade não faz mais sentido e o grupo topou ser aberto para o público em geral.

Portanto, se você aceitou esse lero-lero até aqui, talvez aceite também nosso convite para participar do AN.br, uma comunidade virtual que debate a Análise de Negócios, profissões correlatas, Modelagem de Negócios, Pensamento Visual, Engenharia de Requisitos e Viabilização de Projetos. Se for o caso, por favor, solicite sua inscrição através deste link, informando que recebeu o convite através do finito.

E, já que estamos aqui, posso surrupiar mais 15 minutos de seu escasso tempo? É que estou fazendo uma pequena pesquisa sobre projetos e a Análise de Negócios no Brasil. São apenas 23 questões, a maioria demandando apenas um clique. Quem participar terá acesso integral ao resultado da pesquisa, além de concorrer aos seguintes prêmios: 3 vagas em eventos FAN e 5 agendas personalizadas (desenhadas especificamente para analistas de negócios e product owners). Para tanto, basta que você envie um email para finito@pfvasconcellos.com, confirmando que respondeu ao questionário. Clique aqui para participar.

É conversando que a gente se entende. E se estou com orelhas tão grandes, é só pra te escutar melhor. Inté!

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A imagem utilizada, FOWA Sketch, é de KaiChanVong, e foi surrupiada legalmente, se é que você me entende.