• o que precisa ser feito?

    Para Peter Drucker, esta é a pergunta mais importante que uma pessoa de negócios deve fazer. Para Fred Brooks, ela representa a etapa mais crítica de um projeto.

    Há dez anos este "mantra" foi escolhido para explicar o principal propósito do finito: puxar conversas sobre projetos, sistemas e negócios.

    E tudo começa assim. Diz aí, o que você precisa fazer hoje?

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TI: O Início do Meio do Fim

TI: O Início do Meio do Fim

Este artigo não estava em meus planos, assim como não estava o penúltimo. Aquele acidente gerou conversa boa a partir de sentimentos e colocações ruins. No fechamento daquele texto escrevi que “se a Análise de Negócios seguir submissa à TI, terá o mesmo triste fim“. A colega Cristina Belderrain interpretou que “o fim que aguarda TI é a passagem para a nuvem”. Não era o que eu sugeria. Confesso que, até a participação da Cris, não havia parado para pensar no “fim que aguarda TI”. Vou pensando enquanto escrevo – zeloso a la Veloso (ou não).

Na resposta onde prometi este artigo eu conclui que “TI já acabou”. E que já faz um tempão! Claro, não estou falando da Tecnologia da Informação de maneira geral, e sim dos departamentos de TI nas empresas que têm outros fins. Saca só esta breve cronologia de matérias de capa de algumas publicações tupiniquins:

  • EXAME, 20/fev/2002: Tecnologia – Como Matar o Desperdício
  • Info Corporate, Jul-Ago/2003: O CEO não manja de Tecnologia? Como convencê-lo de que TI é essencial para o negócio
  • Info Corporate, Nov-Dez/2003: CIOs X Usuários: o que precisa mudar nessa histórica rixa
  • EXAME, 4/fev/2004: Tecnologia da Informação – Dá para se livrar dela?
  • Info Corporate, Set/2004: É o fim da TI como a conhecemos A área de tecnologia vai mudar para sobreviver. Como fica o CIO?
  • Info Corporate, Mai/2005: A tecnologia perdeu poder? Só 20% dos CIOs brasileiros se reportam ao presidente. O que isso significa?

A Info Corporate não existe mais – e já foi tarde. A EXAME, quando fala de tecnologia, tem dois assuntos:  gadgets da moda e “bilionários” fenomenais, não necessariamente nesta ordem. Não devo ser o único que sente saudades dos artigos do Helio Gurovitz. Mas o que quero ilustrar é que… desistiram. Falar que TI não funciona – não entrega, deixou de ser novidade. Deixou de vender revistas, se é que um dia o fez. E, pelo visto, deixou de motivar soluções milagrosas. Faz tempo que não aparece uma sigla de três letras prometendo mais que político em período eleitoral, não?

Lembrado pelo amigo Igor Couto, mostro ao lado a explicação do Jurgen Appelo para o estado atual das coisas. Seu alvo é o desenvolvedor de software, mas o modelo serve como uma luva para explicar como e porque os departamentos de TI chegaram onde estão.

Perdão, mas vou resumir: falta de disciplina e de competência detonam a qualidade e a produtividade. Baixas qualidade e produtividade deixam clientes e usuários muito insatisfeitos, P’s da vida mesmo. O que aumenta a pressão que eles exercem sobre TI. Uma pressão que só faz erodir a motivação e, consequentemente¹, a produtividade.

Assim, de tanto não entregar ou entregar soluções de péssima qualidade, TI perdeu o direito de dizer NÃO. Onde deveria haver motivação há medo, puro medo. Ciclo montado, circos incendiados diariamente em organizações dos mais diversos portes e ramos de atividades.

Perdemos muito tempo correndo atrás de extintores e mangueiras. E, preciso dizer, a contratação de analistas de negócios foi só o uso de um extintor diferente. Ferramenta inútil em incêndios de grandes proporções.

O CLD (Diagrama de Ciclos Causais) do Jurgen sugere três soluções de amplo espectro: Educação e, a partir dela, Competência e Disciplina. Nunca foi segredo para ninguém que qualidade e produtividade dependem desses fatores. Acontece que Educação é investimento de longo prazo. Pronto, consegui colocar em uma frase com oito palavras três termos aparentemente incompatíveis com muitas organizações de TI: Educação, Investimento e Longo Prazo.

Se Tudo tem que Terminar Assim

Que pelo menos seja até o fim, diz a letra do Herbert². As letras do Gartner e do McKinsey, traduzidas na Info Corporate de setembro de 2004, não alimentavam nenhuma esperança:

  • O departamento de informática como o conhecemos desaparecerá;
  • Algumas áreas de TI, como infraestrutura, vão mesmo virar commodities e serão inevitavelmente terceirizadas;
  • A TI deixará de ser uma área de suporte aos usuários para ser absorvida pelas próprias unidades de negócio;
  • Não haverá mais espaço para o profissional eminentemente técnico. Quem quiser trilhar carreira técnica deverá trabalhar num fornecedor de tecnologia;
  • Nesse cenário, o CIO tem dois caminhos a seguir: ou se torna um executivo de processos de negócios ou continua a gerenciar ativos de TI, tornando-se, assim, um ser em extinção.

Dramática lista, não? Dramática, um tanto equivocada e, como este artigo até aqui, pouco construtiva. Não sei se tenho respostas (construtivas), mas meu balaio tá repleto de palpites:

  • A Nuvem não curará aplicações bugadas e mal integradas. Acima de uma inchada camada de commodities residem dados e sistemas que pedem, há tempos, por drásticas revisões. A mesma metralhadora do Gartner já havia sugerido, no final do século passado, uma interessante solução: aposente algo entre 3 e 5 sistemas legados por ano. O remédio pode ser amargo e caro, mas parece ser a única alternativa.
  • Serviços de manutenção de hardware, impressão, suporte ao uso de equipamentos e outros que não lidem nem dependam de conhecimentos do negócio já deveriam estar terceirizados desde mil novecentos e pedrinha. A Nuvem, se bem utilizada, pode tirar outros pesos das costas de TI. Desde que tal movimento não comprometa ainda mais os níveis de serviços atuais.
  • Cogitar que áreas de negócios assumam responsabilidades sobre a administração de TI é ingenuidade que ignora três fatores: i) as soluções que realmente interessam ao negócio suportam processos, não departamentos. A pulverização sugerida só faria aumentar o caos instalado, nada mais; ii) Pouquíssimas organizações possuem uma arquitetura de negócios que não dependa de um mínimo nível de integração e padronização; e iii) unidades de negócio têm suas responsabilidades bem determinadas. Não sei de nenhuma que faça sua própria contabilidade ou limpeza ou folha de pagamentos. Por que assumiriam a gestão de TI?
  • Aquele papo de CIO virando “executivo de processos” era conversa para BOI dormir. Bad trip provocada pela onda BPM que então surgia, nada mais.

Pois é, TI acabou. Mas, como disse Voltaire em outro contexto, precisaremos (re)inventá-la. Exercício para a próxima semana: se você pudesse desenhar um departamento de TI do zero, como ele seria?

 

Notas

  1. Descrever diagramas já é um atentado contra a inteligência. Escrever “consequentemente” na descrição de um CLD deve resultar em uns 100 anos de cadeia e solidão, mais ou menos. Perdão!
  2. “Caleidoscópio”, composição de Herbert Vianna gravada pelos Paralamas numa época em que existiam o Rock Nacional e os departamentos de TI.

 

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  • Érica

    Olá Vasconcelos!

    Meu sentimento é que pagamos pelos pecados de nossos pais. Durante muitos anos TI cresceu desordenadamente e literalmente como cidades não podemos esperar que agora, quando reconhecida como essencial para os negócios, inteligência de mercado, gestão do conhecimento e fator essencial para gestão competitiva as ruínas desestruturadas, vielas, sobrados e completa falta de rede de saneamento básica seja resolvida num estalar de dedos. SOA está aí, mas qdo começamos a façar de solução integrada e tudo o mais sempre vamos parar nos planos de, no mínimo, 5 anos. Foi como vc mesmo escreveu a solução é óbvia e todos sabem, todos tem ciência dos problemas decorrentes da forma de gestão atual, se ainda assim insistimos em mantê-los a única resposta plausível é pq compreendemos que o custo que estamos pagando não vale o benefício que a mudança, a despeito do seu custo, irá trazer. Dói, mas eu pessoalmente entendo que chega uma hora que basta discutir e se faz necessário assumir…

    Mas esses são só meus parcos 2 cents…

    []’s

    • pv

      Oi Érica,

      Eu temo, sinceramente, que esse conformismo gere alguns graves acidentes. Aliás, temos testemunhado alguns com certa frequência. O “óbvio” descrito só parece estar claro para quem é da área. Ainda não aprendemos a vendê-lo para quem tem a grana. E não aprendemos a mostrar, talvez por desconfiarmos de nossa própria capacidade, que os benefícios podem sim justificar os custos da mudança. Com folga!

      Repito que minha sugestão é, de certa forma, simplista e pretensiosa. Mas eu acredito, como coloquei em outro artigo desta série, que uma TI menor e mais concentrada é uma boa resposta.

      Obrigado pela participação. Abraços!

      Paulo Vasconcellos

      • Érica

        Compreendo, mas não me entenda mal, não sou conformista, só acho que existe muita reclamação pra pouca mudança concreta. Se está tão ruim da forma como está agora então pq não assumimos os reais custos e necessidades, arregaçamos os braços e fazemos acontecer? Como vc disse talvez estejamos vendendo o peixe muito mal vendido.

        • pv

          É isso Érica,

          você condensou em poucas palavras a mensagem: vendemos (muito) mal o nosso peixe.

          Abraços!

          Paulo Vasconcellos

  • Jean

    Departamento do zero hein???

    Entrando no mundo “I have a dream…” posso dizer de forma muito simplista que:

    1 – Existiria uma área de TI. Nada de TI espalhada nos departamentos como você bem criticou.

    2 – As demandas que chegassem a TI deveriam ser “precificadas” e descontadas do orçamento de TI para cada departamento. Os departamentos seriam tratados como clientes da TI.

    3 – A equipe deveria ter domínio total do negócio da empresa, seja por meio de analistas de negócio, seja pelo conhecimento espalhado na equipe.

    4 – Sendo mais específico, poderíamos pensar num quadro kanban mostrando todas as demandas em análise, demandas em desenvolvimento, com um limitador do WIP da TI.

    5 – Equipe pequena e hierarquia horizontal

    6 – Investimento em formação a longo prazo de novos talentos apoiada por equipe técnica altamente qualificada. Talvez um coaching de um medalhão do mercado

    Acho que sonhei demais

    abs

    O que mais hein?

    • Érica

      TI da Johnson é mais ou menos assim…. Pelo menos durante o período que eu trabalhei por lá, mas como é predominantemente terceirizada praticamente não existe retenção de capital intelectual e o parque tecnológico tem de td pq business tem mta autonômia sobre suas soluções de sistemas… Basicamente estariamos falando de uma TI 100% controlada por TI, 100% independente (com DBAs, desenvolvedores, arquitetos e o carnaval) e sem terceiros… Uh baby…

      Entendi direito?

    • pv

      Sonhou demais e pediu mais, caro Jean? :)

      Eu só mudaria um item de sua lista de desejos: TI teria orçamento 0 (zero)! Assim como qualquer outra área de apoio. Seus custos fixos seriam rateados entre as áreas que fazem a grana entrar na empresa. Os custos variáveis (projetos) seriam pagos pelas áreas interessadas. Simples assim.

      Abraços! Obrigado pela participação.

      Paulo Vasconcellos

  • Érica

    Olá Vasconcelos!

    Meu sentimento é que pagamos pelos pecados de nossos pais. Durante muitos anos TI cresceu desordenadamente e literalmente como cidades não podemos esperar que agora, quando reconhecida como essencial para os negócios, inteligência de mercado, gestão do conhecimento e fator essencial para gestão competitiva as ruínas desestruturadas, vielas, sobrados e completa falta de rede de saneamento básica seja resolvida num estalar de dedos. SOA está aí, mas qdo começamos a façar de solução integrada e tudo o mais sempre vamos parar nos planos de, no mínimo, 5 anos. Foi como vc mesmo escreveu a solução é óbvia e todos sabem, todos tem ciência dos problemas decorrentes da forma de gestão atual, se ainda assim insistimos em mantê-los a única resposta plausível é pq compreendemos que o custo que estamos pagando não vale o benefício que a mudança, a despeito do seu custo, irá trazer. Dói, mas eu pessoalmente entendo que chega uma hora que basta discutir e se faz necessário assumir…

    Mas esses são só meus parcos 2 cents…

    []’s

    • pv

      Oi Érica,

      Eu temo, sinceramente, que esse conformismo gere alguns graves acidentes. Aliás, temos testemunhado alguns com certa frequência. O “óbvio” descrito só parece estar claro para quem é da área. Ainda não aprendemos a vendê-lo para quem tem a grana. E não aprendemos a mostrar, talvez por desconfiarmos de nossa própria capacidade, que os benefícios podem sim justificar os custos da mudança. Com folga!

      Repito que minha sugestão é, de certa forma, simplista e pretensiosa. Mas eu acredito, como coloquei em outro artigo desta série, que uma TI menor e mais concentrada é uma boa resposta.

      Obrigado pela participação. Abraços!

      Paulo Vasconcellos

      • Érica

        Compreendo, mas não me entenda mal, não sou conformista, só acho que existe muita reclamação pra pouca mudança concreta. Se está tão ruim da forma como está agora então pq não assumimos os reais custos e necessidades, arregaçamos os braços e fazemos acontecer? Como vc disse talvez estejamos vendendo o peixe muito mal vendido.

        • pv

          É isso Érica,

          você condensou em poucas palavras a mensagem: vendemos (muito) mal o nosso peixe.

          Abraços!

          Paulo Vasconcellos

  • Jean

    Departamento do zero hein???

    Entrando no mundo “I have a dream…” posso dizer de forma muito simplista que:

    1 – Existiria uma área de TI. Nada de TI espalhada nos departamentos como você bem criticou.

    2 – As demandas que chegassem a TI deveriam ser “precificadas” e descontadas do orçamento de TI para cada departamento. Os departamentos seriam tratados como clientes da TI.

    3 – A equipe deveria ter domínio total do negócio da empresa, seja por meio de analistas de negócio, seja pelo conhecimento espalhado na equipe.

    4 – Sendo mais específico, poderíamos pensar num quadro kanban mostrando todas as demandas em análise, demandas em desenvolvimento, com um limitador do WIP da TI.

    5 – Equipe pequena e hierarquia horizontal

    6 – Investimento em formação a longo prazo de novos talentos apoiada por equipe técnica altamente qualificada. Talvez um coaching de um medalhão do mercado

    Acho que sonhei demais

    abs

    O que mais hein?

    • Érica

      TI da Johnson é mais ou menos assim…. Pelo menos durante o período que eu trabalhei por lá, mas como é predominantemente terceirizada praticamente não existe retenção de capital intelectual e o parque tecnológico tem de td pq business tem mta autonômia sobre suas soluções de sistemas… Basicamente estariamos falando de uma TI 100% controlada por TI, 100% independente (com DBAs, desenvolvedores, arquitetos e o carnaval) e sem terceiros… Uh baby…

      Entendi direito?

    • pv

      Sonhou demais e pediu mais, caro Jean? :)

      Eu só mudaria um item de sua lista de desejos: TI teria orçamento 0 (zero)! Assim como qualquer outra área de apoio. Seus custos fixos seriam rateados entre as áreas que fazem a grana entrar na empresa. Os custos variáveis (projetos) seriam pagos pelas áreas interessadas. Simples assim.

      Abraços! Obrigado pela participação.

      Paulo Vasconcellos