Crise ou Transição?

Muitos ainda interpretam as más notícias do dia a dia como crises e apelam para pequenos conjuntos de variáveis domesticáveis (taxa de juros, leis, muros, polícias etc.) ao sugerir soluções. São prisioneiros da forma de pensar que nos trouxe até aqui. Um gênio tentou nos ensinar: se a intenção é resolver de vez essa bagunça, então uma nova mentalidade é necessária.

Complexidade & Sistemas

O conjunto de crises, em escala global, é gigantesco. E não existe mais um intervalo de tempo entre elas. Estão sobrepostas e misturadas: causas e efeitos se confundem em novelos intermináveis. Passou da hora de promover nossas crises – colocá-las em outro patamar. E começar a procurar, debater e desenvolver novos modelos e ferramentas.

Russell Ackoff chamou esse momento de transição: da Era das Máquinas para a Era dos Sistemas¹. Stephen Hawking prefere o termo Século da Complexidade. Não há conflito: Hawking trouxe o fubá; Ackoff entregou o angu.

Sistema é uma ferramenta de compreensão². O Pensamento Sistêmico propõe o alinhamento de nosso jeito de pensar com a forma como o mundo realmente funciona³. A proposta não é nova. Conta com décadas de estudos e diversos métodos, ferramentas e modelos. Se não é pop – e ainda não é – é porque não promete atalhos.

Dois Atalhos

O primeiro é o fundamentalismo e ele não se limita ao aspecto religioso. Qualquer crença que não admita ou pelo menos respeite outro ponto de vista é fundamentalista. Seja ela no mercado, numa ideia ou metodologia – você entendeu. É um atalho porque tenta simplificar o mundo à força.

Dedicados seguidores de modas tomam o segundo atalho. Ao contrário dos fundamentalistas, são bastante flexíveis. Exageradamente volúveis. Maionesicamente sensíveis. Chegam a crer na panaceia da moda com certo fervor. Mas não pensam duas vezes na hora do “upgrade”.

Sem Atalhos

O caminho para o Pensamento Sistêmico não é trivial porque o velho sistema legado – reducionista, mecanicista, determinista – ainda roda e predomina: nas escolas, empresas, e, consequentemente, em nossas cabeças. Não importa. O finito vai ficar ainda mais sistêmico – por querer! Espero seguir contando contigo e seu fidbeque. Inté!

Notas

  1. Ackoff’s Best: His Classic Writings on Management
    Russell L. Ackoff (Wiley, 1999).
  2. Geoffrey Vickers, citado em Systems Thinkers
    Magnus Ramage & Karen Shipp (Springer, 2009).
  3. Systems Thinking Made Simple
    Derek Cabrera & Laura Cabrera (Odyssean Press, 2015).
  4. That’s Interesting
    Imagem surrupiada de Kevin Dooley no flickr.
  5. Devo o “maionesicamente sensíveis” ao seu Carlos, pai do Wally, avô da Isabela. O original é ainda melhor: “estrogonoficamente sensíveis – azedam fácil”. Papos em botecos mineiros proporcionam tais achados.