Maré Alta no Pantanal

Participei, na última semana, do Maré de Agilidade Edição Pantanal. Faz tempo que parei de publicar rendicontis – prestações de contas de minhas participações em eventos. A experiência agora foi muito diferente. Por isso merece este post.

Estou curado. Foi assim que encerrei a palestra de sábado. Me referia ao meu jeito ‘bicho do mato’ – são raras as vezes em que participo de eventos coletivos. As razões são várias e algumas não merecem nosso tempo. Tenho algumas restrições (pré-conceitos?) e existem algumas caçarolas bem vedadas. Raramente sou convidado para eventos de Análise de Negócios, por exemplo. Apesar de seus organizadores viverem elogiando, pelo menos pessoalmente, minha “inestimável contribuição” para a disciplina. Exageram no elogio e na distância. Há tempo estou conformado e confortável com essa fronteira – cada um no seu canto, a sua maneira, tentando aprender e colaborar. Qual não foi minha surpresa quando Saulo Arruda (@sauloarruda), da Jera Software Ágil, me convidou para a Edição Pantanal do Maré de Agilidade. Afinal, se sou estrangeiro na “minha área”, o que dizer de minha relação com a Comunidade Ágil?

Saulo encomendou dois produtos: uma versão especial do FAN (programa para Formação de Analistas de Negócios) e uma palestra. O FAN deveria falar de maneira mais direta com o público de um evento Ágil. A palestra tinha que puxar o papo para outros domínios. Decidi aproveitar a oportunidade para testar o FAN4Scrum. Teria uma carga horária de 12 horas para tanto.

Contei com 35 participantes no curso, uma turma bastante diversificada, motivada e compreensiva. Explico, de trás pra frente: era de fato um teste do programa de treinamento, e eles ficaram sabendo disso logo nos primeiros minutos de aula. No último dia precisei de uma horinha adicional. Todos toparam chegar mais cedo e sair mais tarde. Estavam motivados porque são carentes desse tipo de papo. E, exatamente por isso, exploraram bem a oportunidade. Nas três manhãs a interação foi constante e, quero crer, muito proveitosa. Por fim, a turma era bastante heterogênea. Tinha gente da administração pública e da iniciativa privada; haviam gerentes, escritor(es), desenvolvedores, professores e… analistas. Sempre curto uma turma com origens e anseios diversos. O papo fica mais rico.

Descobri que o FAN4Scrum, ao contrário do FDP (Formação de Donos de Produtos), não funcionará com carga mínima (7 horas). A menos que eu me contradiga e elimine 50% do programa, hehe. Ou apele para uma solução que não me agrada: tornar o FAN um pré-requisito para este curso. Trouxe para casa um saboroso problema que preciso resolver até o início do próximo semestre, quando espero lançar o FAN4Scrum em outras praças.

Meus cinco dias em Campo Grande foram uma combinação de altos papos, muita comida boa, uma quantidade saudável de cerveja e, nas tardes vagas, muito trabalho. Decidi que montaria só lá, em cima da hora, a palestra de cinquenta minutos que apresentaria no sábado. O tema, que virou uma gaiola, precisou ser definido com antecedência. E cometi o “Analistas de Negócios no Mundo Ágil”. Não precisei de muito tempo para descobrir a ‘varada n’água’ que o título representava. Soa muito 2007 ou 2008 essa dicotomia. Por que eu desperdiçaria uma oportunidade daquelas voltando páginas?

Fui alertado que 99% do público do evento de sábado, estimado em 180 pessoas, seria formado por desenvolvedores. Eu esperaria algo diferente do Maré de Agilidade? Sei que o alerta veio, principalmente, por causa do título da palestra. E de um detalhe: ela seria a primeira do dia!

Depois da abertura tocada pela dupla¹ @Jeffmor & @Porkaria, a bola estava comigo. Auditório praticamente lotado, não demorei para perceber que era o mais velho ali (apesar dos cabelos brancos do @AleGomes). Havia a possibilidade de uma única alma viva estar ali por causa do título de minha palestra? Melhor não perguntar. Preferi deslizar uma série de 10 slides que traziam no título: “This isn’t a Troll”. Tipo: ok, sou meio estranho no ninho, mas acho que esses assuntos precisam ser debatidos. E lá se foram: Todo projeto precisa de Times de Produtos (formados por PO’s e AN’s, por que não?); “Arquitetura é importante demais para ser deixada apenas nas mãos do arquiteto.” (James Coplien); “User Stories não são suficientes” (idem); Casos de uso são legais, completos e ágeis pra caramba!; e, em outras palavras, “temos pouca grana para bons projetos porque as empresas torram fortunas mantendo código porco”.

Pintado frito recheado com provolone². Acho que pareceu confuso assim. Mas, pela reação geral, acho que entreguei o meu peixe.

Agora a sessão “jogando pra galera”: foi legal poder conhecer pessoalmente, além dos citados acima e pela ordem, Felipe Rodrigues (@Felipero), Celso “Carioca” Martins (@Celsoavmartins), Alexandre Gomes e Paulo Silveira (@Paulo_Caelum), além de toda a turma muito hospitaleira de Campo Grande. Também pude rever um antigo contato, o Gustavo Malheiros (@Gumalheiros). Por fim, mas não menos importante, é preciso destacar o trabalho do pessoal da Jera na organização do Maré. Em três palavras: Show de Bola! E põe na conta a minha “cura”. Inté!

Observações:

  1. Ney Matogrosso (do Sul!) e Luan Santana que se cuidem! Com JeffMor nas cordas e vocais e Porkaria na bateria, formando um tipo de White Stripes pantaneiro-pop-folk-alternativo influenciado pela Sandy e pelo Júnior, vem aí a próxima bomba que agitará o mundo do Sertanejo Universitário (blergh!). Vocês PERDEM por esperar!
  2. Pintado frito recheado com provolone. Pode parecer estranho, mas é um tira-gosto acachapante.
  3. A foto acima foi tirada pelo @AleGomes lá do fundão do auditório. Se vc prestar atenção, perceberá nossos White Stripes lá na frente do palco, numa performance “a capela”.
  4. Uma ideia me acompanha desde sábado, inspirada pelo Maré de Agilidade. Me livrei dela lá no GRAFFiTi.